Anvisa aprova novo tratamento para câncer de sangue no Brasil

Pacientes recém-diagnosticados com a doença e inelegíveis ao transplante poderão usar o medicamento em associação com terapias padrão

Medicamento aumentou a sobrevida dos pacientes. 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou mais uma indicação para o medicamento daratumumabe, imuno-oncológico para tratar o mieloma múltiplo, um tipo de câncer no sangue. Atualmente, cerca de 7,6 mil brasileiros são acometidos a cada ano pela doença, que é crônica e incurável, com maior incidência em pessoas com mais de 50 anos.

O mieloma múltiplo representa cerca de 15% a 20% das malignidades hematológicas no planeta.

Agora, pacientes recém-diagnosticados com a doença e que sejam inelegíveis ao transplante autólogo de medula óssea poderão se beneficiar do tratamento.

A aprovação foi baseada em dados do estudo clínico fase 3, que avaliou a eficácia e segurança do uso do medicamento em 737 pacientes com idades entre 45 e 90 anos (idade média de 73 anos), inelegíveis ao transplante autólogo de medula óssea. O medicamento aumentou a expectativa de vida desses pacientes.

“Com esta nova aprovação, será possível que pacientes recém-diagnosticados com mieloma múltiplo tenham controle adequado da doença por muito tempo, com a melhor sobrevida livre de progressão que já vimos nos últimos anos. Além disso, essa nova combinação também traz um ganho significativo na qualidade de vida dessas pessoas”, afirma Fabio Lawson, Diretor Médico da fabricante do medicamento.

Foto: Divulgação

Sobre o mieloma múltiplo

A doença ocorre quando um tipo de célula da medula óssea chamada plasmócito, responsável pela produção de anticorpos que combatem vírus e bactérias, sofre uma mutação. Esse aglomerado de células defeituosas, que atrapalham o bom funcionamento das células saudáveis, formam o “tumor” maligno.

Os sintomas são, em geral, dores ósseas (especialmente na região do peito, costelas e costas), cansaço, baixa imunidade que predispõe à infecções e alterações renais. A maioria desses sintomas são queixas corriqueiras que chegam aos médicos que atendem pacientes idosos. Por esse motivo, o paciente leva tempo para chegar ao hematologista.

O diagnóstico precoce, porém, é essencial para o sucesso do tratamento, que tem como objetivo o controle da doença, retardando sua progressão e reduzindo os sintomas para melhorar a qualidade de vida do paciente.

“Com a adoção precoce de terapias mais modernas, temos a oportunidade de prolongar o tempo entre as recaídas da doença, diminuindo o surgimento de complicações e proporcionando um período maior com boa qualidade de vida para os pacientes. Além disso, a resposta mais duradoura com a utilização desses medicamentos, já no início do tratamento, também pode impactar na expectativa de vida total após o diagnóstico”, esclarece o hematologista Guilherme Fleury Perini.

Larissa Agnez

Redação Folha Vitória

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