Cerca de 10 mil pessoas serão atingidas por algum tipo de leucemia neste ano, revela Inca

Conheça mais sobre os tipos de leucemia; câncer que afeta o sangue.

Um dos cânceres do sangue mais conhecidos, a leucemia é uma doença que se inicia na medula óssea e acontece quando os glóbulos brancos, que são as células de defesa do nosso organismo, perdem a sua função e passam a ser produzidas de maneira descontrolada.

O termo leucemia assusta. Antigamente, sem o avanço de diagnóstico e tratamentos que a medicina dispõe atualmente a doença era considerada muitas vezes fatal.

A doença é responsável por 33% dos casos de câncer que afetam crianças e adolescentes no Brasil, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA). A leucemia ainda causa medo e gera muitas dúvidas na população. “Apesar de alguns casos de leucemia, principalmente as agudas, serem agressivos, o diagnóstico atualmente é feito mais rapidamente e os tratamentos avançaram muito, aumentando a qualidade de vida desses pacientes e, principalmente, a taxa de sobrevida”, pontua o hematologista Philip Bachour.

A leucemia pode se dividir em diversos subtipos, que são baseados de acordo com dois pontos principais: se ela tem origem da célula, ou seja, surge em células mieloides (leucócitos, hemácias e plaquetas) ou em células linfoides (produtora de linfócitos, com papel fundamental no sistema imunológico); ou de acordo com a intensidade de proliferação: a leucemia progride de forma rápida, caracterizando sua forma aguda, ou de forma lenta, caracterizando sua forma crônica.

Ao todo são 12 subtipos de leucemia, sendo os mais conhecidos a Leucemia Linfoide Aguda (LLA), Leucemia Mieloide Aguda (LMA), Leucemia Linfoide Crônica (LLC) e Leucemia Mieloide Crônica (LMC).

Sem uma causa definida, o diagnóstico da doença só pode ser realizado quando há o surgimento dos sintomas. “É de extrema importância ficar atento aos sintomas. Idas recorrentes ao pronto socorro com infecções, sangramentos, manchas roxas pelo corpo e anemia podem ser um alerta para investigar a presença da doença”, alerta o hematologista.

Entenda as diferenças entre leucemias agudas e crônicas

A principal função da medula óssea, tecido presente na cavidade interna de diversos ossos do corpo, é a produção de células que são disponibilizadas para a nossa corrente sanguínea. Assim que fabricadas pela medula, essas células passam por um processo de maturação e somente são enviadas para a corrente sanguínea quando estão completamente formadas, ou seja, maduras.

No caso das leucemias agudas, essas células não passam pelo processo de maturação e, na impossibilidade de serem lançadas para o sangue, começam a se acumular no tecido. Essas células jovens são chamadas de blastos e, quando se acumulam demasiadamente na medula e extrapolam sua capacidade, são jogadas na corrente sanguínea, causando a diminuição das plaquetas, neutrófilos e hemoglobina.

Um dos principais sintomas das leucemias agudas incluem fadiga, infecções recorrentes, aparecimento de hematomas com facilidade, além de sangramentos. As leucemias agudas mais conhecidas são Leucemia Linfoide Aguda (LLA) e Leucemia Mieloide Aguda (LMA).

O tratamento das leucemias agudas deverá ser indicado por um hematologista tomando por base o perfil de cada paciente como as condições clínicas, sintomas, resultados dos exames, risco de metástase e de recidiva. Por ser um tipo mais agressivo, o tratamento envolve o uso de quimioterápicos, por vezes aliado ao uso de terapias alvo, controle de complicações infecciosas e, em 60% dos casos em adultos o transplante de medula óssea é indicado.

Já no caso das leucemias crônicas não há falha no processo de maturação das células e sim quando a medula óssea, por meio de alterações genéticas e moleculares, passa a produzir células maduras em quantidade maior que o necessário. “Comparadas as leucemias agudas, as crônicas apresentam uma evolução lenta, no entanto, são mais resistentes à quimioterapia”, complementa Dr. Philip Bachour.

Sintomas

Os sintomas que podem indicar a existência de uma das leucemias crônicas estão na alteração dos gânglios localizados no baço, pescoço, axilas, virilha, abdômen e peito, febre sem origem conhecida e perda significativa de peso em curto período de tempo. Já no tratamento desses subtipos da doença, raramente são utilizados quimioterápicos, tendo resultados mais satisfatórios com outros tipos de drogas orais.

Em todos os subtipos da doença, o hemograma é a principal ferramenta usada para o diagnóstico. Assim que analisadas as alterações indicativas da doença, o mielograma e a biópsia de medula óssea são os exames definitivos para confirmação do diagnóstico de uma leucemia.

Doação de medula óssea

A medula óssea é um tecido líquido encontrado no interior dos nossos ossos e é responsável pela produção das células que produzem os componentes do nosso sangue, como os glóbulos vermelhos, que fazem o transporte de oxigênio dos pulmões aos tecidos, glóbulos brancos que são parte do sistema de defesa do nosso organismo, e as plaquetas, responsáveis pela coagulação.

O transplante de medula pode beneficiar o tratamento de cerca de 80 doenças em diferentes estágios e faixas etárias. No entanto, ainda pairam dúvidas sobre o assunto e alguns mitos sobre o procedimento que devem ser quebrados.

Há dois tipos de transplantes de medula óssea: autólogo, quando as células provêm do próprio individuo ou alogênico, quando as células provêm de outro indivíduo. No caso das leucemias, em grande parte as agudas, o transplante indicado é o alogênico.

É importante lembrar que não há a doação da medula no momento imediato em que o doador voluntário se cadastra em um hemocentro. “No estágio de cadastramento desse doador são realizadas as coletas de informações e de sangue, para que ele possa ser inserido na lista mundial de doadores de medula óssea. Somente depois disso, caso seja encontrado um paciente compatível, o doador será orientado sobre o procedimento”, esclarece o Dr. Otavio Baiocchi.

A doação da medula é uma pequena cirurgia, realizada em centro cirúrgico e com internação mínima de 24 horas, no entanto, é um procedimento rápido com duração de cerca de duas horas. A medula é retirada do interior de ossos da bacia, por meio de punções, e o volume retirado é de menos de 15% do total presente no organismo do doador, que recupera o volume doado cerca de 15 dias após a punção.

Ainda há o transplante por aférese, similar à doação de plaquetas. “Esse procedimento é mais simples e o doador toma uma medicação por cinco dias para aumentar a quantidade de células-tronco no sangue”, explica Dr. Philip Bachour.

A doação é realizada por uma máquina de aférese, que coleta o sangue, separa as células-tronco e devolve os elementos que não são necessários para o doador. Neste caso não é necessária internação nem anestesia.

Para ser um doador de medula óssea é necessário ter entre 18 e 55 anos, estar em bom estado de saúde, não ter doenças infecciosas ou incapacitante, doença neoplasia (câncer), hematológica (do sangue) ou do sistema imunológico.

É possível se cadastrar como doador voluntário nos hemocentros espalhados pelo país. Para encontrar o hemocentro mais próximo, o site do REDOME – Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea conta com uma vasta lista com todos os hemocentros que realizam esse cadastro.

Redação Folha Vitória

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