Doença grave é confundida com sinais de envelhecimento

Patologia é o segundo câncer de sangue mais comum e mais frequente em idosos; a doença é uma neoplasia maligna da medula óssea

A doença acomete principalmente pessoas na faixa de 60 anos e os sintomas como dores nos ossos, anemia, insuficiência renal, fadiga e fraturas. 

Desde o primeiro diagnóstico de mieloma múltiplo, no século XIX, a medicina teve avanços grandiosos. Além da evolução nos conhecimentos biológicos em si, acorreram diversas descobertas científicas sobre a patologia, que embora rara, é o segundo câncer de sangue mais frequente no mundo. A sobrevida livre de progressão (período após o tratamento no qual a doença não é eliminada, mas não progride) vem aumentando a cada ano.

A Co-Fundadora, Diretora Técnica e Presidente do Conselho Científico do International Myeloma Foundation Latin America, Vânia Hungria, explica os avanços da doença. “Quando um paciente era diagnosticado vinte anos atrás, as opções de tratamento eram muito limitadas. Hoje, o mieloma se consolidou como a doença que mais tem tido aprovações de terapias medicamentosas no mundo. Nas duas últimas décadas, a sobrevida livre de progressão praticamente triplicou”.

Um outro marco expressivo que proporcionou esse avanço foi o transplante autólogo de medula óssea, quando o paciente recebe um tratamento mais intensivo do que a quimioterapia tradicional.

Câncer 

Foto: Divulgação

O mieloma múltiplo é um câncer da medula óssea, que acontece quando ocorre uma alteração nos plasmócitos, essenciais para o sistema de defesa do organismo. Na América Latina existem poucos estudos epidemiológicos para identificar o possível número de casos, mas estima-se que anualmente 7.600 brasileiros recebam o diagnóstico da doença.

A Dra. Vânia explica que hoje o grande desafio é encontrar uma cura “o mieloma tem diversos tipos de subclones, o que dificulta a descoberta de uma cura definitiva, pois uma única droga não consegue ser efetiva para todas essas”, explica. “Entretanto, hoje, podemos analisar as alterações moleculares de uma célula do mieloma e, dessa forma, identificar seus tipos de clones em tempo real”, complementa.

Um fato que torna o mieloma ainda mais perigoso é o diagnóstico tardio. A doença acomete principalmente pessoas na faixa de 60 anos e os sintomas como dores nos ossos, anemia, insuficiência renal, fadiga e fraturas podem ser confundidos com o envelhecimento. “Muitas vezes, quando os pacientes começam o tratamento, eles já estão muito debilitados em função do diagnóstico tardio. Muitos sofreram por meses ou anos com dores ósseas e passaram por diferentes médicos e exames até a causa desses sintomas ser descoberta”, comenta a médica.

Uma pesquisa realizada pela Abrale, em 2017, com 200 pacientes com mieloma de todo o Brasil também confirma essa realidade. 37% dos pacientes afirmaram passar por vários médicos; 33% levaram de três a seis meses para receber o diagnóstico desde os primeiros sintomas; 29% mais de um ano e, por fim, 20% dos pacientes tiveram diagnóstico inconclusivo. “Por isso, com a indicação dos sintomas do mieloma, é importante que a doença seja considerada e, confirmada a suspeita, o paciente encaminhado para um hematologista”, alerta a médica.

Apesar do choque do diagnóstico, é importante destacar que há um caminho que proporciona qualidade de vida com o controle da doença, principalmente com o cenário atual da medicina. “As drogas recentemente aprovadas proporcionam maior eficácia e baixa toxidade, permitindo um acréscimo na qualidade de vida desses pacientes debilitados”, explica a Dra. Vânia.

Redação Folha Vitória

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