Governador e prefeitos se reúnem em Guaçuí para alinhar ações depois de enchentes

O governador Renato Casagrande esteve em Guaçuí, na manhã desta terça-feira (28), onde se reuniu com prefeitos e lideranças da região para falar sobre as ações que estão sendo tomadas, dar orientações e apresentar o que o governo tem a oferecer aos municípios que sofrem com as consequências das enchentes do último final de semana. A reunião aconteceu no auditório da Secretaria Municipal de Educação e durou quase duas horas.

Estavam presentes os prefeitos e representantes dos municípios de Guaçuí, Alegre, Dores do Rio Preto, Divino de São Lourenço, Bom Jesus do Norte, Apiacá, Jerônimo Monteiro, e Ibitirama. Antes, o governador esteve em Iúna, onde se reuniu com os demais municípios da região do Caparaó e, depois, ainda iria realizar reuniões em Castelo e Cachoeiro de Itapemirim.

O governador explicou que o encontro serviu para ouvir dos prefeitos a situação de seus municípios e orientar às coordenações da Defesa Civil de cada cidade a como utilizar o Cartão Nacional da Defesa Civil, fazendo o cadastro do formulário daquilo que é mais urgente nesta primeira fase para atender as populações. “É a cesta básica, água, o colchão, o material de limpeza e higiene, a hora máquina – que é fundamental nessa hora –, aluguel social, isso precisa ser cadastrado no sistema nacional que, em 48 horas, o dinheiro é depositado no Cartão Nacional da Defesa Civil”, esclareceu. “Se houver alguma dificuldade, o Estado já está atendendo e vai continuar atendendo, mas é bom que a gente compartilhe essa responsabilidade entre o governo estadual, governo federal e governos municipais”, completou.

Depois, segundo ele, é preciso fazer o cadastro daquilo que vai ser preciso para recuperação da infraestrutura, como a reconstrução de pontes, recuperação de rodovias, infraestrutura urbana, muros de arrimo, entre outras iniciativas. “Além da habitação, porque é necessário saber quantas residências serão necessárias para pessoas de baixa renda, para que possamos levar esse pleito ao governo federal”, disse. “Esse trabalho depende muito das informações do município e nossos batalhões dos Bombeiros podem dar as orientações necessárias, para que, junto com a Defesa Civil, Secretaria de Desenvolvimento Urbano, DER, Agricultura, Assistência Social possam trabalhar em parceria com as prefeituras”, complementou.

 

Boas notícias

A prefeita de Guaçuí, Vera Costa, anfitriã do encontro, destacou que o governador estava trazendo boas notícias, junto com sua equipe, num momento de muita dificuldade para as prefeituras. “Conversando com os prefeitos e o pessoal da Defesa Civil dos municípios, percebíamos que todo mundo estava em pânico, sem saber o que fazer, e só temos que agradecer a todos que estão trabalhando para nos ajudar”, disse. “Também temos que pensar na prevenção na área de saúde, assim como fizemos um trabalho de prevenção, graças aos nossos funcionários, aqui em Guaçuí, conseguindo retirar as pessoas e seus pertences antes da chegada da água, além de agradecer à população que ouviu o alerta dado pela Defesa Civil”, completou.

Ela enfatizou que, perto dos outros municípios, Guaçuí teve um prejuízo menor. “O prejuízo – apesar de termos perdido uma ponte em São Domingos construída há um ano e outra na sede com estrutura abalada, sem contar a zona rural, onde estamos fazendo os levantamentos – poderia ter sido muito maior, se a população não tivesse confiado nos nossos comunicados”, destacou. “E só temos que agradecer ao governador por já ter decretado o estado de emergência para nossos municípios, o que vai agilizar o processo”, afirmou.

 

Calamidade

Além de Vera Costa, todos os prefeitos presentes apresentaram a situação de seus municípios. E o prefeito de Dores do Rio Preto, Cleudenir de Carvalho Neto – Ninho – fez um dos relatos mais contundentes, ao admitir que houve falha por parte de toda sua organização de Defesa Civil e de assistência social. “Ainda não conseguimos atender a população com colchão, cesta básica, tive que comprar do meu bolso para distribuir”, declarou. “Temos que corrigir isso, porque a parte baixa da cidade toda entrou água nas casas, inclusive, na minha entrou um metro e vinte de água, e todo mundo perdeu tudo”, completou. “Cheguei a colocar um carro de som avisando, às 7 horas da manhã de sábado, que vinha muita água, que tirassem suas coisas e, principalmente. salvassem suas vidas, mas ninguém acreditou, só que, quando chegou a água, foi um desespero, porque a enchente ficou lá por mais de 18 horas, e hoje estamos sem nada, sem remédio, não temos vacina, virou uma calamidade, não temos como atender a população com nada, a não ser limpar a cidade”, concluiu.

Já o prefeito de Ibitirama, Reginaldo Simão de Souza, disse que, segundo relatos dos moradores mais antigos, nunca houve uma enchente no município como a dos últimos dias. “Uma situação que nos dá vontade de chorar, mas toda nossa equipe está trabalhando, junto com nosso povo que está sendo muito solidário e temos que agradecer muito a Deus por não termos vítimas, porque nessas horas, temos que pensar na vida e poderia ter sido muito mais grave”, disse. “Nossa estimativa é que as perdas em Ibitirama cheguem a quase R$ 5 milhões, entre poder público, casas perdidas, comércio, pontes, barreiras, além da dificuldade de trabalhar sem internet e sem telefone celular há 10 dias”, complementou. “E por isso, estamos precisando de caminhões e máquinas”, concluiu.

Por sua vez, o prefeito de Alegre, José Guilherme de Aguilar, disse que a sede de Alegre não teve problemas, mas os distritos de Rive e Placa foram muito atingidos, o que foi agravado por problemas em duas PCHs existentes nessa região, com uma delas, inclusive, apresentando possibilidade de rompimento da barragem. “No pico da vazão de água, por essa barragem, passou um milhão e 200 mil litros de água por segundo, o que significa 3 bilhões e 400 milhões de litros por hora, água que nunca ninguém viu em Alegre”, contou. “Duas ruas de Rive e a comunidade de Placa ficaram embaixo de água, além de comunidades ribeirinhas que sofreram bastante”, completou. “E se a barragem rompesse, talvez, a gente não estaria aqui falando, porque iria causar problemas sérios em Alegre, Jerônimo Monteiro, Cachoeiro e Itapemirim que, hoje, está recebendo essas águas”, destacou.

Além do governador, também estiveram em Guaçuí e falaram sobre a atuação de seus órgãos e o que podem fazer para colaborar com os municípios, o coordenador da Defesa Civil Estadual, coronel André Có Silva, o comandante geral do Corpo de Bombeiros do Espírito Santo, coronel Alexandre dos Santos Cerqueira, o superintendente regional do DER-ES, Fábio Longui Batista, e o secretário do estado de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano, Marcus Vicente. Ainda estavam presentes, o deputado estadual Luciano Machado e os prefeitos Eleardo Brasil (Divino de São Lourenço), Marquinhos Messias (Bom Jesus do Norte) e Fabrício Thebaldi (Apiacá), assim como, o vice-prefeito de Guaçuí, Miguel Riva, o presidente da Câmara Municipal, Angelo Moreira, e os vereadores de Guaçuí Marcos do Goes, Paulinho do Vitalino, José Luiz Pirovani e Licinho, secretários municipais e coordenadores da Defesa Civil dos municípios, entre eles o coordenador da Defesa Civil de Guaçuí, Joilson Wagner. O prefeito de Jerônimo Monteiro, Sérgio Fonseca, justificou sua ausência e enviou um representante.

Fonte: Aqui Notícias.

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