Introspecção infantil pode não ser um problema. Entenda!

Muitas vezes a personalidade mais quieta e fechada dá margem para a preocupação dos pais, mas nem sempre quer dizer que há algo errado

A introspecção é um traço de personalidade mal compreendido e, algumas vezes, é confundido até mesmo com arrogância. De acordo com o psicólogo e pesquisador Jonathan Chick, é possível que existam quatro tipos de introvertidos: sociais, pensantes, ansiosos e reservados. Essa linha de reflexão pode desmistificar o que se imagina sobre as pessoas introspectivas, inclusive por parte dos pais.

Os sociais têm um perfil mais falante, dão risadas e chegam a contar piadas, porém escolhem amigos com cuidado e se abrem com poucos. Os ansiosos costumam ser mal compreendidos e buscam a solidão, pois a companhia de outras pessoas os deixa assustados. Já o pensantes nem percebem a presença dos demais ao redor e podem permanecer por horas imersos em seus pensamentos. Por último, para os reservados, a ideia de se relacionar não chega a ser assustadora, mas gostam de analisar tudo e pensar com bastante cuidado antes de se comunicar.

“Logo na infância, o pai ou a mãe tem o costume de incentivar alguns comportamentos dos filhos, sem ter a sensibilidade e o cuidado de analisar se aquilo tem relação com a personalidade da criança ou não. É comum os pais insistirem para os filhos cumprimentarem todas as pessoas no ambiente, forçarem para ficarem em grupo com os amigos ou não se isolarem, por exemplo”, explica Camila Cury, psicóloga e presidente da Escola da Inteligência — programa especializado em educação socioemocional idealizado por Augusto Cury.

A preocupação aumenta significativamente quando essas crianças chegam à adolescência e os traços da personalidade começam a ficar mais sólidos e evidentes. A pessoa mais introspectiva tem algumas características como eleger apenas um ou dois amigos para ter um relacionamento, prefere assistir a filmes sozinho, e não em família, e não gosta de programas coletivos.

“Os pais precisam entender que essa é apenas a natureza deles e não há nenhum problema em ser assim, desde que a pessoa não sofra com isso. O papel deles é conduzir a criança para que se sinta segura em ser o que é e se desenvolva como indivíduo, tenha liberdade dentro das suas peculiaridades, sem o receio de ser julgado ou mesmo rejeitado”, afirma Camila.

Ainda assim, a família, de um modo geral, pode propor para essa criança ou adolescente a experiência de estar mais perto, de criar novos vínculos, fazer novos amigos e desenvolver mais afetividade. “É um exercício que pode ser feito sem pressão, demonstrando empatia e vontade de realmente compreender o filho. Isso vai abrir caminhos para novas relações e trará uma identidade segura”, finaliza.

Redação Folha Vitória

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