Médicos alertam para riscos da automedicação após cantora tomar remédio para dormir

Diversas pessoas ignoram as sérias consequências que o uso descontrolado de alguns remédios pode provocar

Mesmo remédios que já foram prescritos precisam de atenção e cuidado para ser ingerido novamente. 

De acordo com o irmão da cantora capixaba Renata Ribeiro Cardoso, de 30 anos, que estava desaparecida, Renata disse ter tomado alta dose de uma medicação para dormir, que foi oferecida por uma passageira que seguia viagem ao seu lado no ônibus. Sonolenta e desnorteada, Renata “se perdeu” e ficou desaparecida por horas. Felizmente, foi encontrada e já está em casa, no município de Marechal Floriano.

Após o ocorrido, alguns alertas estão sendo reforçados por médicos a respeito da automedicação, ou remédios aconselhados por terceiros e sem prescrição médica.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade (ICTQ), em setembro de 2018, apontou que 79% dos brasileiros com mais de 16 anos de idade têm o hábito de se automedicar. Entre pessoas de 25 a 34 anos, esse índice chega a 91%.

“No Brasil, os medicamentos são o principal agente causador de intoxicação em seres humanos”, alerta o médico Luiz Monteiro, presidente da Associação Brasileira das Empresas Operadoras de PBM (Programa de Benefício em Medicamentos). Para ele, muitas pessoas ignoram as sérias consequências que o uso descontrolado de alguns remédios pode provocar, inclusive os medicamentos isentos de prescrição.

No caso de Renata, além do efeito de sonolência extrema causada pelo remédio, a cantora colocou a sua vida em risco. Vale ressaltar que a substância ingerida poderia ter alguma droga ilícita ou ter sido utilizada para dopar de fato, a cantora.

“Mesmo remédios que não tenham a necessidade de uma receita médica oferecem riscos à saúde das pessoas, se consumidos de forma abusiva. Os efeitos colaterais que eles podem provocar também variam de pessoa para pessoa, sendo mais graves para uns do que para outros”, explica Monteiro.

Prescrição

Foto: Pixabay

O geriatra Heitor Spagnol dos Santos, lembra que mesmo remédios prescritos precisam de atenção.

“Uma vez que determinado medicamento foi prescrito ele não deve ser utilizado numa ocasião futura sem consulta médica. É uma atitude incorreta. Um sintoma não é específico de uma única doença. Um mesmo sintoma pode estar presente em diversas doenças. Uma tosse pode estar presente em um quadro alérgico, em um quadro de pneumonia ou em uma doença do refluxo, por exemplo. O médico reforça que, ao agir assim dessa forma, existe o risco de o paciente deixar passar uma doença mais importante, tratando o real problema de forma tardia, com risco de complicações”, destacou o especialista.

Larissa Agnez

Redação Folha Vitória

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