Moscas podem ser ferramenta para polícia solucionar homicídios

Estudos de entomologia forense começam a ser desenvolvidos em Minas Gerais(foto: Cecília Bastos/Usp Imagens)

Um estudo com cadáveres suínos já identificou quais insetos colonizam cadáveres em Belo Horizonte

Moscas encontradas em cadáveres podem ajudar a solucionar homicídios. O inseto pode determinar o tempo de morte das vítimas de assassinato por meio dos ovos e larvas encontrados no cadáver. A prática já é utilizada em diversos países e, no Brasil, estados como Rio de Janeiro, Bahia, Amapá e Paraíba já têm um perito especializado para analisar os insetos encontrados na cena do crime. Em Belo Horizonte, um estudo com suínos já foi capaz de identificar as espécies de insetos que existem e podem colonizar os corpos em estado de decomposição para começar a utilizar esse método.

entomologia forense é o estudo da biologia de insetos e outros artrópodes em processos criminais. Existem muitas pesquisas antigas empregadas com diversas finalidades para o auxílio das investigações em diferentes tipos de crimes. De acordo com Pedro Alves Marinho, do laboratório de química do Instituto de Criminalística de MG, apesar de alguns estados já utilizarem esse método, ainda é preciso o Brasil se desenvolva nesta área.

Em Minas Gerais, a entomologia forense ainda não tinha sido adotada e com isso, em 2015, Pedro reuniu com uma pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Faseh, uma universidade de Brasília, e mais dois alunos de biologia do Centro Universitário UNA para começar o projeto. Ele explica como funciona o processo de extrair informações úteis para a polícia solucionar um homicídio. “É importante esclarecer que após a morte, o corpo passa por um processo de decomposição que é acelerado pela colonização de insetos necrófagos. Eles se alimentam dos tecidos do cadáver para seu desenvolvimento. A análise destes insetos ou larvas nos corpos em estado de decomposição pode contribuir de várias formas para entender melhor sobre o crime praticado”, esclarece.
Pedro Alves Marinho conta que o procedimento para identificar esses dados se baseia em coletar os insetos presentes no corpo em decomposição e anotar as condições ambientais relacionadas ao local da ocorrência. Depois disso ele leva as larvas para o laboratório e cria em um ambiente controlado para emergir a fase adulta e, assim, realizar a identificação da espécie do inseto. “São realizados cálculos matemáticos utilizando dados publicados na literatura científica sobre a espécie coletada no local do crime. Estas análises irão contribuir principalmente para estimar tempo de morte de corpos em estado de decomposição avançado, onde não se pode mais realizar este cálculo apenas pelas características visíveis no corpo”, explica.
A pesquisa foi feita na mata da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) com cadáveres de suínos, que a professora da Faseh, Thelma de Filippis, considera ter o mesmo tipo de infestação de mosca que os humanos. Ela também conta que nos primeiros resultados do estudo eles identificaram quais insetos colonizam cadáveres em Belo Horizonte, na Região Central do estado. “A fauna de insetos varia de uma região para outra e o primeiro resultado que obtivemos no estudo foi a determinação das famílias ou espécies de insetos em diferentes etapas de decomposição do suíno”, disse.
Com essas informações, os pesquisadores vão montar um banco de dados local para o desenvolvimento da entomologia forense em Minas Gerais.
Fonte: Estado de Minas.

 

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