Pacientes infectados pela covid-19 podem apresentar aumento na frequência urinária

De acordo com o estudo, fazer muito xixi pode ocorrer devido a cistite, uma infecção causada por fungo ou bactéria que atinge a bexiga

Recentemente, um estudo publicado pela Revista Europeia de Urologia apresentou mais um indício para as pessoas ficarem alertas: Além dos sintomas mais conhecidos, como, por exemplo, tosse seca, febre, falta de ar, coriza, dor de garganta, perda de olfato-paladar e cansaço, o aumento da frequência urinária entrou para a lista dos sintomas que podem indicar a contaminação. De acordo com o estudo, o aumento da frequência urinária pode ser desencadeado pela cistite.

Segundo o urologista Marcos Dall’Oglio, que também é professor de Medicina da USP, a cistite é infecção causada por fungo ou bactéria que atinge a bexiga. “Pacientes infectados pela covid-19 podem desencadear uma inflamação sistêmica, inclusive na bexiga provocando uma cistite viral. Desta maneira, o agente infeccioso compromete o revestimento celular do sistema urinário provocando sintomas irritativos. Nestes casos, o principal sintoma é o aumento da frequência urinária e isto deve ser acompanhado e monitorado porque há relatos de ocorrência de sepse urinária”, explica o urologista.

Apesar de a maioria dos casos ser de infecção leve e atingir os pulmões, existem pacientes que apresentam diagnósticos graves e complicações em outros sistemas, podendo ser cardiovasculares, nervoso, digestivo e urinário.

O estudo da Revista Europeia identificou que a frequência urinária atrelada a infecção pelo coronavírus independe de lesão renal prévia, ou seja, o paciente pode ou não ter apresentado complicações no órgão anteriormente. Mas, alerta que casos severos da covid-19 estão ligados a um maior risco de insuficiência renal aguda e pode acontecer, com mais frequência, naqueles que já têm condições pré-existentes que comprometem o trato urinário.

“Pacientes infectados podem apresentar alguma repercussão sobre o aparelho urinário, um dos sinais mais preocupantes é a presença de sangue na urina, conhecido como hematúria. A hematúria ocorre principalmente naqueles com alguma condição pré-existente e pode se relacionar ao crescimento da próstata ou a tumores das vias urinárias. Importante ressaltar que nesses casos de sangramento, deve ser realizada investigação mais criteriosa”, afirma Dall’Oglio.

Por conta da descoberta desse novo sintoma e, também, porque muitos pacientes renais estão adiando consultas e exames por causa das medidas de distanciamento social e o medo de contaminação, é esperado por muitos médicos, inclusive pelo Dr. Marcos Dall’Oglio que a demanda por cuidados e tratamentos renais aumentem depois da pandemia, pois a doença não pode esperar.

Redação Folha Vitória

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *