Psicóloga explica como identificar uma relação abusiva desde o início do relacionamento

Ligações do Disque Denúncia aumentaram 9% no Brasil durante o período de quarentena. Especialistas alertam que porcentagem pode ser ainda maior

Estudos recentes comprovam que a violência doméstica durante a quarentena teve aumento considerável em diversos países. Entre eles estão: China, França, Portugal, EUA e Reino Unido. No Brasil, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos registrou aumento de 9% nas ligações para o Disque 180 (Disque Denúncia – serviço de denúncia e de apoio às vítimas).

O período de isolamento social foi uma medida sugerida pelas autoridades para evitar o colapso do sistema de saúde no país por conta da rápida propagação do coronavírus. Contudo, neste cenário, vítima e agressor estão vivendo quase 24 horas no mesmo local.

O Folha Vitória conversou com a psicóloga Tassiane Kunsch, para apoiar mulheres a reconhecerem desde cedo quando estão entrando em uma relação tóxica. De acordo com a especialista, a mulher precisa ficar atenta aos sinais, muitas vezes na fase do namoro já se percebe, antes mesmo da agressão física, violência psicológica.

Sinais 

De acordo com Kunsch, ciúmes excessivos devem ser monitorados, principalmente com a justificativa de “amar demais”, a especialista destaca que o ciúme deixa de ser normal e vira um motivo para controlar a vida do outro;

– Frases como “porque eu te amo demais” ou ” é para o seu bem”. O controle acontece quando ele começa a decidir o que a outra pessoa deve ou não fazer, pode ou não vestir, quais atividades pode fazer, ou se pode fazer somente na presença dele;

– Invasão de privacidade. Por mais que sejam um casal, as pessoas devem ter seu espaço de individualidade. Em uma relação abusiva é comum que o abusador não respeite o espaço da outra pessoa, controlando assim seu ciclo de amizades, com quem pode ou não conversar, afastando muitas vezes a pessoa da própria família;

– Chantagem. A manipulação é uma ferramenta central de um relacionamento abusivo, utilizando chantagens para a parceira permanecer na relação, seja ameaçando o relacionamento que ele já tem controle;

– Destruição da autoestima. Se no começo ele demonstrava ser uma pessoa incrível, te tratava bem, era um amor, com o tempo isso vai mudando. A mudança vai começando com “críticas construtivas” que vão aumentando cada vez mais e ficando mais pesadas. Sem perceber, a vítima vai perdendo a autoestima a ponto de achar que ninguém mais pode lhe amar se essa relação acabar;

– Violência física. É gradual, começa com empurrões ou apertões e vai aumentando com o passar do tempo.

– A psicóloga reforça que em um relacionamento deve existir diálogo, confiança e respeito, se não há um desses critérios, existe algo de errado.

– Amar o abusador. “A mais eu amo ele” , da mesma forma que você aprendeu a amar, com o tempo você irá aprender a amar mais a si, ao invés de colocar esse amor todo no outro. “Quando nos regamos de amor próprio começamos a analisar quem deve ou não entrar e estar em nossa vida e com o tempo, se você perceber que aquela pessoa não é para você , se retire daquele lugar que lhe causa sofrimento , você pode, você consegue”, aconselhou a psicóloga.

Como se livrar de uma relação abusiva? 

Tassiane Kunsch comenta que existem várias maneiras de se afastar de uma relação abusiva, como denunciar, procurar ajuda profissional, mas primeiramente você tem que perceber que está em uma relação tóxica.

Lei em defesa da mulher

De acordo com criminalista Gunther Berger, a violência doméstica é há bastante tempo um problema na sociedade, mulheres em todas as camadas sociais sofrem constantemente agressões que não permeiam apenas o campo da violência física, são agressões verbais, pressão psicológica entre outras condutas que são sistematicamente utilizadas para agredir as mulheres.

O advogado, lembra que, a Lei Maria da Penha, está vigor há quase 14 anos, porém mulheres ainda esbarram na desconfiança na hora de denunciar, não apenas por medo do agressor, mas também por receio de como será o atendimento perante a autoridade policial.

Ainda que existam delegacias especializadas em atendimento à mulher, é bem comum relatos de condutas machistas que apontam para o descrédito em relação à vítima, além disso, expor a situação é, para muitas, uma situação extremamente vexatória. Portanto, ainda que as estatísticas demonstrem elevado número de agressões e denúncias, acredita-se que esses dados podem ser ainda piores, ao passo de que, como foi dito, muitas mulheres não denunciam seus parceiros.

Lembrando que, a vítima que sofreu esse tipo de pode e deve denunciar no 180, este atendimento funciona todos os dias da semana 24 horas por dia.

Larissa Agnez

Redação Folha Vitória

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *